bg_mundo.jpg
TU PELO MUNDO
PRAIA DO FORTE E IMBASSAÍ
POR FERNADO DE SANTIS

Se não fosse paulistano, eu seria baiano. Isso é um fato. Tá pra nascer um estado tão bom para ter lugares bacanas para conhecer, como a Bahia! Confesso a vocês que já andei bastante por lá e, cada vez que volto para conhecer um lugar novo, fico surpreso. Essa viagem eu fiz em março deste ano de 2020, uma semana antes de tudo virar do avesso, eu estava por lá, tomando minha breja na areia da praia e já ouvia nos podcasts que as pessoas começavam a andar de máscara e, que cedo ou tarde, tudo iria fechar. É esquisito pensar nessa viagem, nove meses depois, pois parece que fiz há uns dois anos. Tudo ficou tão distante, tão nebuloso, uma realidade que hoje em dia me parece distante (embora as pessoas ainda achem que está tudo normal, mas está tudo piorando).

Lá fomos nós, eu e a minha esposa, Luana, direto de São Paulo para Salvador. Convenhamos que é muito fácil ir para a Bahia, é muito rápido, em poucas horas de voo, você já está na terra prometida. Há algumas maneiras de chegar à Praia do Forte, você pode pegar um traslado ali mesmo no aeroporto ou então, simplesmente chamar um Uber. Fizemos as contas e percebemos que era mais em conta ir de Uber, do que pagar duas passagens de translado para o Forte.

 

Conta a história que a Praia do Forte era uma antiga aldeia de pescadores, lugar esse que ainda tem uma pegada bem de aldeia, de vilinha mesmo, porém, recheada de belezas naturais para todos os lados que você olhar. No século XVI, subiram um forte na região, e então, a vila cresceu ao redor, surgindo então a Praia do Forte. A função, assim como todos os fortes da época, era de proteger a região, que armazenava as mercadorias que vinham pelo mar, para serem levadas à Salvador. O Castelo D’Ávila, é um dos monumentos mais importantes do Brasil, pois foi feito com características medievais, algo ímpar no nosso país. O Castelo hoje tem apenas a função turística e suas ruínas oferecem uma bela vista para o mar.

Ficamos no “Praia do Forte Hostel”, que fica bem próximo ao centrinho e, de quebra, próximo às praias também. A dica, sempre que você pretende viajar sem carro, é ficar perto do centro, pois te facilita a vida, principalmente à noite, quando pretende sair para jantar ou tomar um sorvete, não precisa ficar com aquela necessidade de ter que chamar um táxi ou carros de aplicativos. Então, fizemos tudo por lá, caminhando. E devo dizer que o centro da região é muito similar a diversos outros centrinhos que conhecemos pelo Nordeste brasileiro, recheado de restaurantes regionais, sorveterias, lojinhas de roupas, de artesanatos, feirinhas, bares com música ao vivo, cachorros e gatos perambulando pelos chãos de areia, em um clima pra lá de aconchegante. Sim, o fato de ser igual aos demais, é uma prova de que o local é muito bacana e gostoso. 

1/1

Somos bem praianos, nossos passeios concentram-se em chegar à praia, pedir uma caipirinha gelada e deixar o tempo passar. Começamos pela principal, a Praia do Porto de Cima, que fica em frente à igrejinha de São Francisco, em frente ao projeto TAMAR (que falarei mais adiante). A igrejinha estava em reforma da fachada e da calçada ao redor, não consegui fazer uma foto legal, por conta dos tapumes e dos trabalhadores, que sempre estavam comprometendo o visual do local. Ali, ao lado da igreja é possível ver embarcações de pescadores, ancoradas ou saindo, talvez isso explique o nome da praia de “Porto de Cima”. A areia é bem curtinha, se for sentido ao centro, tem alguns vendedores que te atendem com cerveja e água de coco a preços super honestos, comparados aos praticados em Santos. Aliás, pedi três espetinhos de queijo coalho, para um vendedor ambulante, e saíram pela bagatela de R$10,00. Outro dia, em Maresias, me cobraram esse valor em apenas um espetinho! Essa praia eu recomendo que você visite com a maré baixa, pois tem corais, então é muito mais seguro para você se molhar vendo onde está pisando, sem correr o risco de se machucar, além de poder ver uns peixinhos te rodeando.

Se tu seguir pela praia do Porto de Cima, em direção ao centrinho e caminhar por uns dez ou quinze minutos, você encontrará a praia do Porto de Baixo, que já é uma praia mais sossegada e melhor para quem prefere entrar no mar, pois o mar é muito mais calmo e sem corais no raso. Dá para se divertir sem correr o risco de machucar os pés, além de contar uma infraestrutura para que você possa sentar embaixo de um guarda sol e ficar comendo alguma porção e tomando alguns drinks. Nesta praia saem os passeios para observação de baleias jubarte. Mas não vá pensando que vai chegar lá, pegar um barco e curtir as amigas gigantescas que moram no fundo do mar. Elas visitam o litoral da Bahia entre os meses de julho e novembro, para acasalarem, fugindo do frio da Antártida. Ninguém merece namorar na água gelada! Então se você tem planos para ver as Jubartes, programe-se para ir nesse período mencionado. Como fomos em março, só ouvimos falar desse passeio e fiquei com muita vontade, pois as baleias são um dos meus top três animais preferidos. Já sei que terei que fazer o esforço de passar mais uma semaninha na Praia do Forte, em breve, para curtir essa observação das baleias.

Se tu estiver na praia do Porto de Baixo e andar sentido oposto ao centro, em aproximadamente dez minutos você chegará à praia do Lorde. Essa é a praia ideal para quem curte apreciar a vida marinha em suas piscinas naturais. Trate de conferir no hotel ou na internet, a tábua das marés, para saber quando a maré estará baixa, para você aproveitar ao máximo esse passeio. Embora por lá não tenha estrutura de restaurantes, têm vendedores oferecendo bebidas e é possível alugar máscara de mergulho e respiradores. Em tempos de pandemia, tome cuidado com esses objetos que vão na boca de pessoas, se possível, leve o seu, até isso tudo passar, embora todos os respiradores sejam desinfetados, é melhor se precaver.

Como mencionei anteriormente, atrás da igrejinha de São Francisco, na praia do Porto de Cima, tem o projeto TAMAR. Acredito que todos saibam, mas é um projeto que visa a preservação das tartarugas, aliás, tartaruguinhas estão também no meu top três animais preferidos, ao lado de baleias e gatos! E para visitar esse projeto, não tem época do ano, basta ir ao parque, que funciona de quarta à sexta, das 11h às 17h e sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h. Atualmente adultos pagam R$28,00, estudantes pagam R$14,00 e há ainda a opção de passaporte família, que custa R$76,00 para casal com duas crianças. Muitos hotéis e hostels têm parceria com o Projeto TAMAR, oferecendo meia-entrada, certifique-se na recepção do local em que você for se hospedar. É um passeio delicioso, com diversos tanques, mostrando animais de diversas espécies e tamanhos, desde as pequenas, recém nascidas, até as grandes, que dão um show à parte na hora que os funcionários as alimentam. São animais muito sábios e simpáticos. É possível andar pelo museu, passar por aquários, ver esqueletos e diversos tipos de cascos e formatos de tartarugas, além é claro, da lojinha de souvenirs, que você é obrigado a passar na saída, e fatalmente deixará algumas centenas de Reais por lá, pois os produtos são muito bonitos, vão desde camisetas, vestidos, chapéus, brinquedos, cangas,canecas, etc., e o dinheiro ainda ajuda a manter o projeto em pé. Aliás, pelas praias é possível ver canos PVCs numerados pelo projeto, que são ninhos com ovinhos de tartarugas! Tudo muito bem cuidado para que elas tenham um belo nascimento, livre de predadores e seres humanos sem senso. Ainda no Projeto TAMAR tem um restaurante delicioso, de frente para o mar, super gostoso e aconchegante. Após nosso passeio pelo parque, encostamos lá e provamos uma moqueca de peixe deliciosa, observando a praia do Porto de Cima. 

1/1

Depois de uns dias na Praia do Forte, pedimos para que o hotel nos passasse o contato de algum motorista de táxi, que nos buscou e nos levou para o nosso segundo destino: Imbassaí. Senhoras e senhores, devo dizer a vocês que Imbassaí é legal demais, praia gigantesca e deliciosa. Ficamos em um hotel na areia, o que nos facilitou muito a vida, e nos tornou deveras preguiçosos. Acordávamos, víamos o sol nascendo na sacada do nosso quarto, descíamos, tomávamos aquele café da manhã e ficávamos o dia todo na espreguiçadeira de frente para o mar, levantando apenas para caminhar pela areia. Imbassaí fica há uns vinte minutos de carro, da Praia do Forte, então caso você não pretenda passar uns dias na região, pelo menos você consegue visitar e passar o dia por lá.

A praia tem 6km de extensão e é coberta por dunas. Caminhando sentido Forte, você encontrará o rio Imbassaí que encontra o mar. Nesse local, é possível aproveitar os restaurantes que espalham cadeiras e guarda-sóis na areia, para que você possa aproveitar de um lado o mar e do outro lado a piscina que o rio cria, ao se aproximar do mar. É possível caminhar pelo rio, nas vezes que passamos, estava bem rasinho e a água estava bem quente.

 

Imbassaí não tem um centrinho tão interessante quanto às demais cidades que passei pelo Nordeste. Tem poucos restaurantes e bares, um mercadinho aqui e outro ali. O forte para quem pretende provar uma culinária regional e gostosa é o Bar do Zoião, onde filamos o peixe vermelho. Aliás, eu escrevi sobre esse bar e esse prato, na edição 022 da Revista TU, (com a Belle Torres na capa). Um programão para fazer em Imbassaí, caso você fique hospedado na região, e tenha sorte, é pegar uma noite de lua cheia e caminhar pelo mar. É um breu absoluto, porém, em lua cheia, ela ilumina tudo, deixando tudo muito bonito. Aliás, se tu curte ver estrelas, e fotografá-las, esse é o lugar! Deitamos nas espreguiçadeiras e deixamos nossa visão se acostumar com o escuro… e de repente parecia mentira, aquele céu com milhares de estrelas! Algo que eu nunca tinha visto. 

Se tu pensa em viajar para um local próximo, bem gostoso, com culinária atraente e ótimos passeios de natureza, a Praia do Forte e Imbassaí são uma ótima pedida. Vale lembrar que essa viagem fizemos no período pré-quarentena, foi tudo seguro, além disso, pode ser que uma ou outra atração tenha fechado ou mudado, por conta da pandemia. Mas tenho certeza que as belezas e a natureza continuam lá, intactas, e esperando meu retorno, afinal, tenho que ver minhas amigas baleias na minha próxima visita.

© 2016 by Revista TU