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SÃO PAULO (VIRTUAL)
TU PELO MUNDO
POR THIAGO SOUTO

Toda edição da TU nós visitamos um lugar do Brasil ou do mundo através de relatos viagens de amigos ou de leitores que compartilharam com a gente sus experiências turísticas por aí. E para esta edição, até já tínhamos separado um texto sobre uma viagem do Fernando ao nordeste brasileiro. Só que surgiu um porém gigantesco na vida de todo mundo. Infelizmente, veio a COVID e com ela a quarentena, e com isso, achamos que não teria muito sentido falar de viajar em um momento em que não é muito seguro nem ir até a padaria. Mas não queríamos abandonar essa seção que está na revista desde sua primeira edição. E como poderíamos viajar sem sair de casa? Depois de queimar os neurônios, chegamos na solução. Vamos fazer um tour virtual por algum lugar.

 

Mas não queríamos qualquer lugar. Do que adianta ser babaca de fazer você dar um tour pelo Museu do Louvre, por exemplo, se nem quem vai a Paris consegue ver o museu inteiro? E sem contar que a grana anda curta para todo mundo. Então, pensamos em algo mais acessível, logo ali que você possa fazer um tour virtual e, quando acabar essa parada toda (e vai passar), você pode visitar pessoalmente. Por isso, escolhemos São Paulo, aqui do lado, para você passear virtualmente sem precisar se expor a vírus nenhum e, depois, poder ir você mesmo de ônibus, metrô, sem gastar nenhuma fortuna para conhecer na íntegra. Inclusive, escolhemos lugares próximos uns aos outros, em que você pode visitar em apenas um dia ou dois. Então, vamos lá?

Se preparando para o rolê

Ah, não posso esquecer de explicar tudo direitinho para você ter uma experiência bem legal. Vamos usar bastante no passeio uma ferramenta criada pelo Google, que é o Google Arts & Culture. Nele há um apanhado de museus do mundo inteiro e você pode acessar e fazer tours virtuais em 360° pelo site ou pelo app (Android e Apple). Além disso, vamos visitar alguns lugares com o Google Street View (o Google podia até patrocinar esta matéria, né? Mas não estamos ganhando nem um centavo). Então, vamos deixar o link de cada lugar que visitarmos, para você poder ter a sua experiência. Então, deixe a mochila de lado, prepare o celular ou corre pro computador e vem com a gente.

Avenida Paulista e MASP

Não dava pra começar em outro lugar, não é? A Paulista é o coração de Sampa. Seria o equivalente a Time Square de NY ou o Piccadily Circus, em Londres, só que espalhada em quase 3 km. É fácil chegar na Paulista, pois por ela passa uma linha de metrô e além de ser um hub entre várias avenidas importantes da cidade. Então tudo parece convergir para este ícone da cidade. Talvez por isso que ela seja o lugar de todas as principais manifestações da capital, além de reunir grandes eventos como a Parada LGBTQ+, a largada e a chegada da São Silvestre e o ano novo paulistano. A Paulista também reúne muitos prédios comerciais, sendo o centro financeiro da cidade. E onde tem dinheiro, também tem muita diversão. São diversas opções como espaços culturais, lojas, shoppings, bares, restaurantes (caros e baratos) e até camelôs.

E é na Paulista que vamos fazer a nossa primeira parada. Ali do lado da estação Trianon do metrô, você vai encontrar um dos principais cartões postais de São Paulo. O MASP, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (nome do seu criador). Um blocão de concreto e vidro suspenso por quatro pernas vermelhas também de concreto. Estiloso demais e contemporâneo até hoje em sua arquitetura, mesmo tendo sido criado 1968 pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi. É impressionante (e um pouco assustador) o vão livre embaixo da construção, projetado para que as pessoas pudessem usufruir e utilizar o espaço. O museu possui a maior e mais completa coleção de arte ocidental da América Latina e de todo Hemisfério Sul, reunindo grandes obras de arte do mundo inteiro, com destaque à Renascença italiana, mas também peças da França e de toda a Europa. No acervo fixo do museu, você entra peças de Renoir, Leonardo Da Vinci, Aleijadinho, Botticelli, Bosch e mais um monte de outros gênios de diversas escolas de arte. Sem contar também peças arqueológicas, exemplares de arte africana, asiática e pré-colombiana e o acervo fotográfico que é gigantesco.

Mas se você não quer só ver quadros e obras de arte, logo embaixo do MASP você pode desfrutar do Mirante 9 de Julho (ou MIRA). Além da vista bacana e um belo lugar para fazer umas fotos, o espaço conta com opções de gastronomia e coworking. E do outro lado da rua, em frente ao MASP, você pode dar uma voltinha no Parque Trianon, que é um pouco de verde no meio da selva de concreto. Ah, e já ia me esquecendo. Também na Paulista existe um casarão lindo que contrasta com os prédios enormes. É a Casa das Rosas, um dos últimos palacetes da Paulista, onde são oferecidos à população de São Paulo cursos, oficinas de criação e crítica literárias, palestras, ciclos de debates, lançamentos de livros, apresentações literárias e musicais, saraus, peças de teatro, exposições ligadas à literatura...e por aí vai.

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Pacaembu e Museu do Futebol

“Ah, mas esse lance de arte e museu não é muito a minha pegada”, você pode falar. Talvez porque você nunca tenha conhecido o Museu do Futebol. Tenho certeza que ele pode mudar um pouco esse conceito. A começar pela localização, debaixo das arquibancadas do Pacaembu. Se esse passeio não fosse virtual, você poderia ir direto da Paulista andando, afinal são só 2 km de caminhada e, o melhor, na descida.

 

O Pacaembu dispensa apresentação. Estádio municipal da capital, ele já presenciou grandes glórias dos quatro grandes clubes do estado. Além de ser um estádio delicioso de assistir um jogo. O Fernando falaria disso melhor do que eu, pois já foi em muito jogos lá, mas também tenho a minha cota de emoção vivida no estádio. Bom, para quem não sabe, o estádio do Pacaembu, ou Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho (seu nome oficial), foi fundado em 1940 e já até sediou jogos de Copa do Mundo. A sua fachada em Art Decó tem um charme todo especial e pode ser vista de longe, já que o estádio fica localizado em na ampla praça Charles Miller, que também abriga uma feira livre na maior parte dos dias da semana (dá até pra comer um pastelzinho quando acabar a quarentena).

E logo ali, bem na entrada principal do estádio, você encontra o Museu do Futebol, que é totalmente dedicado ao esporte que é uma paixão do brasileiro. E mais que isso, pois ele é quase todo voltado ao nosso futebol brasileiro, dando destaque tanto aos craques que vestiram a camisa da seleção quanto aos torcedores fanáticos. Aliás, um setor da exposição do museu é totalmente dedicado ao torcedor, com projeções de vídeos captados de jogos aqui do Brasil. Você se sente dentro do estádio, toda a tensão e aquela onda crescente que vem com o grito de gol. É muito legal. Além disso, lá é contado como o futebol chegou no país, a história das conquistas mundiais da seleção e também de personagens históricos, como jogadores folclóricos, cartolas caricatos e narradores brilhantes como Fiori Gigliotti, tudo com muito material áudio visual, depoimentos de personagens que viveram os momentos e muita interatividade.

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Centro de São Paulo

Agora, vamos para a parte final do nosso passeio. Vamos para o Centro. O movimentado e diversificado Centro de São Paulo. Entre office boys, pastores gritando versículos da Bíblia, nigerianos vendendo coisas suspeitas, travestis, camelôs e gente andando sem parar que nem formiguinhas, o Centro tem muita coisa legal para mostrar. Estação da Luz, Mercado Municipal e o sanduba de mortadela, Pinacoteca, Edifício Martinelli (primeiro arranha-céu de São Paulo), Anhangabaú, Teatro Municipal, Praça da Sé, Praça Roosevelt...vixi, a lista não para! Por isso, vamos visitar 3 lugares bem próximos entre si. A começar pelo Pátio do Colégio. Exatamente aqui, nasceu São Paulo. No Pátio foi levantada, pelos missionários jesuítas, a primeira construção da atual cidade de São Paulo, com a intenção de catequizar os indígenas que ali viviam. Hoje, abriga o Museu Anchieta, Auditório Manoel da Nóbrega, Galeria Tenerife, praça Ilhas Canárias (Café do Pátio), Igreja Beato José de Anchieta, a Cripta Tibiriçá e a Biblioteca.

Daí, vamos para o Edifício Altino Arantes, só duas quadras dali. O nome pode soar meio estranho para as pessoas que devem conhecer este prédio como o Banespão, hoje chamado de Farol Santander. Parecido com uma versão miniatura do Empire State Building, com uma bandeira do estado de São Paulo tremulando no topo, o Farol é um dos melhores mirantes da cidade, de onde pode ver os prédios da Paulista, a Serra do Mar e o Pico do Jaraguá, na Zona Norte. O edifício abriga um museu, um café junto ao mirante, espaço para exposições temporárias e uma pista de skate assinada pelo Bob Burnquist. Além disso, no subsolo, onde antes ficava o antigo cofre do banco, tem um bar (a porta do cofre continua lá). Vale a pena conhecer e subir até o topo para ver a cidade lá de cima.

E para fechar o rolê, há apenas algumas quadras dali, vamos visitar a Galeria do Rock. Um dos últimos baluarte de resistência do rock and roll. Espremidinha entre dois prédios, a galeria tem diversas lojas de em seus 7 andares. Discos e lojas de camisetas de bandas dividem espaço com lojas não tão de rock assim, mas a essência é a mesma. Quando for visitar ao vivo, aproveite e coma um hamburger monstrão, tome uma cerveja e ouvindo um bom rock.

Curtiu o tour virtual? Agora que conhece um pouco mais, dá até vontade de conhecer pessoalmente, não é? Então, espere a pandemia acalmar e faça esses passeios que, a gente garante, você não vai se arrepender.

© 2016 by Revista TU