bg_mundo.jpg
CURITIBA
TU PELO MUNDO
POR THIAGO SOUTO

Existem algumas cidades que a gente não tem ligação nenhuma, você nunca morou ou trabalhou, mas a gente conhece como a palma da nossa mão. Você tem uma cidade assim, que você seja um especialista clandestino? Eu tenho e posso falar sem sombras de dúvida que, se não sou um expert de Curitiba, eu manjo muito dessa cidade.

Até porque não sei quantas vezes visitei a cidade. Já fui com a família, com amigos ou só com a esposa. De passagem, para ficar alguns dias e até para casamento. Já passei muito frio, me queimei do sol, comi demais (todas as vezes) e fiquei bêbado. E todas as vezes foram divertidas e gostosas. Sempre com a certeza de trazer boas lembranças na bagagem. Mas por que Curitiba tem essa qualidade sobre mim? Talvez seja porque ela misture o ar de cidade grande, uma das maiores da Região Sul do país, com um ar de cidade pequena. Pode ser por causa dos lindos parques. Ou por causa dos restaurantes e bares. Ou disso tudo junto. O que importa é que agora vou compartilhar um pouco desse carinho que eu tenho por esta cidade com você.

Os parques

A gente aqui em Santos não tem essa cultura de parque, não é? A gente tem a praia sempre ali, então a gente não tem uma necessidade de ter um parque para curtir um espaço aberto para fugir do monte de prédios, tomar um sol ou praticar um esporte. Cidades sem praia como São Paulo e Curitiba precisam de espaços assim, para os cidadãos terem uma opção de lazer gratuito. E Curitiba caprichou na hora de fazer parques. Um mais gostoso que o outro.

Além disso, Curitiba tem um serviço muito legal de ônibus turístico double decker (de dois andares) que passa pelos principais pontos turísticos da cidade. Você pode compra um cartão que te dá direito a algumas paradas, o que permite que você desça para conhecer os pontos turísticos e pegue o próximo ônibus que vier. Quase todos os lugares que eu vou citar aqui, fazem parte do roteiro desta linha turística. E o melhor, não é caro.

Um dos mais famosos parques da cidade é o Jardim Botânico, parada obrigatória de quem visita Curitiba, ainda mais se estivermos na Primavera. O parque conta com 278 m², com direito a um bosque com Mata Atlântica preservada. Mas o destaque do parque fica por conta do amplo jardim francês que leva à Estufa e a construção em si. Toda em Art Nouveau, foi inspirada no Castelo de Cristal em Londres. Climatizada, abriga espécies ameaçadas da Mata Atlântica. Uma verdadeira joia.

Outro parque que você tem que visitar é o Parque Tanguá. Localizado em duas pedreiras desativadas, o parque tem uma vista bem legal, com cachoeira artificial e uma gruta. O pôr do sol no parque é imperdível. Próximo a este parque, temos outro que vale a pena dar uma paradinha, que o Parque Tingui (sim, os nomes são meio parecidos). O destaque aqui fica para o Memorial Ucraniano, uma réplica de uma igreja construída toda em madeira. E quer saber mais uma coisa? Perto dali tem outro parque, o Barigui (o que pega com esses nomes né?). Este é perfeito para quem quer fazer um pic nic, com um lago grande, com direito a capivaras. Se você tem tempo de sobra, fica a dica. Mas só se estiver com tempo sobrando mesmo.

O Olho e a Ópera de Arame

Outro ponto turístico icônico de Curitiba é o Museu Oscar Niemeyer, desenhado pelo arquiteto que lhe dá o nome em 1965. Muita gente conhece o museu como Museu do Olho, por causa do formato peculiar de um dos prédios do complexo. Além disso, o prédio conta com o segundo maior vão livre do país. O museu reúne obras de arquitetura, arte e design. Vale muito a pena visitar. Ah, ao lado do museu, adivinhe, tem mais um parque, o Bosque do Papa. É legal conhecer e, se tiver perto do almoço, você pode usar ele para atravessar até um restaurante mexicano muito bom que tem do outro lado.

 

Tão marcante quanto o MON e Jardim Botânico, a Ópera de Arame é outro cartão postal de Curitiba. Um teatro imponente, todo feito de tubos de aço e estruturas de metal, e que contrasta com o lago e o verde da vegetação ao seu redor. E tão impressionante quanto o teatro em si é o fato de que ele foi e erguido em apenas 75 dias. Imagino como deve assistir um espetáculo nesse teatro. Bandas como Raimundos e a dupla sertaneja Fernando e Sorocaba gravaram seus DVD na Ópera, assim como muitas peças e até programas de tv.

1/1

Feira do Largo da Ordem

Mas você não quer só ver parques e museus, certo? Às vezes você quer comprar umas bugigangas. Quem não gosta de viajar e trazer uma lembrancinha para a família, não é? Um artesanato, uma coisinha que você só encontra na cidade que você está ou algo que você vai se arrepender muito de ter gastado dinheiro na emoção do momento.

 

Pois então você vai adorar a Feira do Largo da Ordem, que rola todo domingo. Tá ligado as famosas feirinhas hippies que a gente tem aqui em Santos? Multiplica por mil. É muito mais barraquinha e muito mais gente andando e olhando as paradas. E põe muito nisso. E tem de tudo nesta feira. Você vai achar coisas antigas, roupinha de criança, artesanato de tudo quanto é jeito, comida, coisas geek, camisetas de bandas de rock, umas paradas meio hipsters... cara, tem tudo mesmo. Sem brincadeira. Tem violeiro tocando moda ou alguém tocando jazz, ou os dois ao mesmo tempo. É uma loucura.

Mas o que tem de bom mesmo no Largo da Ordem é o Bar do Alemão ou Schwarzwald. É como se você atravessasse uma porta e fosse teletransportado para Munique. A música tocando em alemão, as mesas em madeira bem rústicas, o chão de pedras e as bandeirinhas nas cores da Alemanha. É como se você estivesse em um biergarten. Então, ache uma mesa, peça seu submarino (caneca de chopp de 500 ml com uma canequinha de steinhaeger dentro), uma porção de bratwurst com mostarda escura e a famosa carne de onça. Mas não se assuste, é só um prato típico de Curitiba. Carne moída (bovina) crua temperada sobre um pão preto, com cebolinha e mostarda escura. Não tem como não gostar.

Comendo em Curitiba

E se o assunto é comida, os curitibanos não brincam em serviço. Curitiba tem uma coleção sem fim de restaurantes sensacionais, sem brincadeira. Desde os cachorros quentes do Au-Au até as excelentes carnes na churrascaria Batel Grill, tudo é muito bom. São incontáveis bares e restaurantes de tirar o fôlego. Mas um deles merece um destaque especial, que é o Madalosso, no Bairro da Santa Felicidade.

 

Quem vê de fora e não conhece, talvez ache que é um shopping center, mas na verdade se trata de uma cantina gigantesca. E ela é assim para receber, ônibus e mais ônibus de turistas com uma fome gigantesca de asinhas de frango e massas. Muitas massas! É algo impressionante. Não tem como sair dela sem ter comido muito bem. É daqueles lugares que se você vai no almoço, não precisa jantar. Já tá resolvido. A dica especial fica por conta do conchiglione de figo que é de outro mundo. E se você não é tão afim de muvuca, na frente do restaurante maior, tem o Velho Madalosso, que serve os mesmos pratos, mas em um ambiente menos bombado de gente.

Outra dica bem bacana pra quem quer comer uma coisa legal, e beber também, fica o convite para conhecer a Av. Batel, que reúne muito bares e restaurantes. É como se fosse a nossa Tolentino, só que bem maior. E lá você vai achar de tudo, bares de rock, pub, restaurante mexicano, bar de sertanejo e por aí vai.

E se você gosta de doces, a dica de ouro é a tradicional Confeitaria das Famílias, na famosa Rua das Flores. Foi fundada em 1945, por um espanhol, e funciona normalmente até hoje. Entre os doces mais pedidos tem a rosquinha espanhola, as bombas e o bolo Marta Rocha, que foi inventado exatamente nesta confeitaria. Então, tem que provar.

1/1

Trem para Morretes

E nossa última dica de passeio é especial. Não é bem em Curitiba, mas uma viagem dentro da viagem. Partindo 8h30 da capital paranaense, sai um trem rumo a Morretes, fazendo um dos passeios de trem mais lindos do mundo, segundo o jornal The Guardian. No percurso de quase 4 horas, o trem percorre as montanhas da Serra do Mar através de pontilhões e túneis, revelando paisagens de tirar o fôlego, como vales e cachoeiras, além de muita Mata Atlântica nativa.

Além do passeio, você pode conhecer a simpática Morretes, conhecida por seu ar pitoresco e pela gastronomia.  O que você pode aproveitar até o retorno do trem às 15h.

São diversas classes no trem e os valores variam entre R$ 26 e R$ 265 por trecho. Mas seja qual for a classe que você escolher, vale a pena o passeio. Assim como toda a visita a Curitiba. Esperamos que tenha gostado das dicas e se animado a visitar a cidade. E se for, chama a gente.

© 2016 by Revista TU