bg_gata.jpg
THA MATOS

Depois de 22 edições, pela primeira vez, a Revista TU não terá um ensaio feito pelo Fernando De Santis (esse que vos escreve) e pelo Thiago Souto. Vivemos tempos difíceis, de quarentena… queríamos colocar a edição no ar e pensamos na melhor forma de fazer isso. Que tal fazer uma sessão com um auto-ensaio? Opções em Santos teríamos algumas, mas quem surgiu logo de cara, na minha cabeça, foi a talentosíssima fotógrafa (e modelo), Tha Matos.

“Tha” de que? De Tha mesmo. Somente Tha. Perguntei a ela, quando a fotografei, ano passado. “Porque meu nome inteiro é muito sério. Alguma coisa séria tem a minha cara?”, perguntou. E completou: “Tenho quase que um TOC de não chamar as pessoas pelo nome inteiro, pois é muito sério e me lembra gente brigando comigo”. Pois é, a Thata é das figuras mais peculiares que já conheci na minha vida. É uma moça totalmente feliz. Ela não anda, ela pula. Se ela te encontra, ela vem na sua direção pulando e não andando. O mais curioso é que sempre tive radar para pessoas que tinham esse tipo de atitude forçada e em dez segundos você percebe que a Thata é a alegria pura e autêntica! Tudo ali é muito real!

Se você quer encontrar com a Thata, saiba que você terá que procurá-la por aí. Ela não para e ela nunca “é”. Ela apenas “está” de um jeito e em algum lugar. “Nasci em Santos, e morei até os meus seis anos. Aí meus pais se mudaram para Floripa, com a minha irmã e meu irmão, pois meu pai queria que nós tivéssemos uma infância mais tranquila. Morávamos em uma ilha, dentro da ilha. Era tudo muito tranquilo. Eu comia muito peixe (coisa que hoje em dia eu detesto!), mas sempre quis sair de casa. Desde criança, sempre fui a rebelde de casa. Falava para os meus pais que, quando eu completasse dezoito anos, iria embora. E quando completei dezoito anos, eu fui embora (risos). Vim para Santos fazer faculdade, de produção multimídia. Já amava fotografia, mas não tinha dinheiro para comprar nada”, conta. E já divagando, Thata relata a primeira experiência ruim que teve com fotografia. “Fiz o curso por causa da fotografia. Meu professor deu um trabalho para pegar a câmera da faculdade (eu não tinha câmera) e tirar foto do que quiséssemos na rua. Tirei foto de um morador de rua e o professor olhou para mim e falou: ‘Nossa, sério? Essa que é a sua criatividade? É isso que você tem? Se você quiser ser fotógrafa, vai ter que estudar muito, pois você é muito ruim!’”. Tha largou tudo e o professor era a única pessoa que ela tinha contato que trabalhava com fotografia. Depois disso, foi trabalhar com maquiagem durante seis anos é, quando sentiu-se cansada de maquiar, decidiu largar tudo e retomar a fotografia.

E a Tha Matos além de ser uma baita fotógrafa, é uma modelo espetacular… Estou fazendo as contas de cabeça aqui, acho que já a fotografei quatro vezes. Será que a Thata é mais fotógrafa ou modelo? “É difícil me aceitar como modelo, acho que é uma profissão que eu preciso estudar mais. Não sei. Mas estou trabalhando em me aceitar como modelo. Eu prefiro fotografia. O fato de virar modelo só aconteceu pelo fato da fotografia, em ter interesse em estar do outro lado (da câmera). Ganhei uma nova perspectiva. Mas fotografar não tem igual… Quando fiz meu primeiro ensaio nu, foi menos vulnerável do que fotografar pela primeira vez. Louco isso, né? Sinto muito mais vulnerável fotografando do que sendo fotografada. Amo ser a pessoa que está sendo fotografada, sem ter que me preocupar com a luz, mas amo muito mais ser a pessoa que está fotografando, ser a pessoa que está contando a história”, responde. 

© 2016 by Revista TU