© 2016 by Revista TU

CAROL CASTRO

Com passos firmes e decididos, apareceu ela, caminhando pelo longo corredor do prédio em que mora sozinha, no número cem. Não era dos mais belo dias em Santos. O vento que vinha da praia, em uma corrente de ar, fez os cabelos loiros balançarem, e ela parecia uma balança, carregando uma sacola de papel cheia de roupas em uma mão e uma mala na outra, buscando o equilíbrio. Ela busca o equilíbrio, descobri isso. Pés no chão e cabeça no vento, com passos decididos, que andaram pela primeira vez em Marília, no interior de São Paulo, onde nasceu. “Caroline ou Carol?”, pergunto. “Ninguém me chama de Caroline… Carol mesmo, pode ser Carol”. Carol Castro.

 

Ela quase alcança os 1,60m, mas tem pensamentos grandes e dias imensos, talvez de 36 horas, ou mais. Pense em um dia cheio, o dela é tão grande quanto. “Às 06h30min e 07h30min duas aulas de crossfit, volto para casa e às 11h entro em outra academia. Saio de lá às 15h e vou para casa novamente. A partir das 17h, volto a dar aulas e vou até as 22h mais ou menos. Nesse meio tempo, faço minhas refeições e treino”, conta de forma animada. E eventualmente trabalha nas academias aos finais de semana, enquanto no tempo livre, sempre procurar ficar com o namorado, João, “Ele é meu ponto de equilíbrio... uma das melhores coisas que já me aconteceram na vida. Ele a família dele são luz na minha vida”, revela.

 

Mas como essa mariliense veio parar em Santos? Ela chegou em Santos em maio de 2013. Veio pra fazer faculdade de Educação Física e se formou no final de 2016. Então, a cidade de Santos a abraçou, e ela abraçou a cidade. Virou santista, embora tenha um jeito mais sereno, mais de interior, um jeitinho mais ingênuo. Pergunto se ela pensa em voltar a morar em Marília: “Por enquanto não… às vezes meu coração aperta de saudades… quase sempre. É bem ruim estar longe de todo mundo”, divaga e completa: “Mas eu sinto que o lugar é pequeno para mim, sabe?”. Distante da família, trabalhando o dia inteiro e em alguns dias de final de semana, Carol sabe que todo esse esforço valerá a pena no futuro. Nos sonhos, imagina viagens para lugares incríveis, como a Grécia e Itália, mas já traça planos a curto prazo “tenho me programado para fazer pelo menos uma viagem grande por ano”, conta.

 

Se estava um pouco reticente ou tímida antes das fotos, em alguns minutos já estava toda empolgada. “Carol, será que você pode deitar aqui no chão e…” e ela já estava deitada, dando sugestões, via as fotos e comemorava. “Fiquei muito à vontade, e agora admiro ainda mais o trabalho que fazem”, falou. Nós que admiramos, ainda mais. Admiramos essa moça batalhadora, que honra a família, mora em Santos, mas tem coração apertado e apaixonado, que quando já não tinha espaço, pequena foi, onde a vida lhe cabia apertada, em um canto qualquer ela acomodou*. E Carol segue numa direção contrária até chegar a seu destino, leve, com o peso do mundo inteiro, das saudades nos ombros. E quando se sentir insegura, Carol, olhe para o céu.

 

*Adaptação de um trecho da música Quando fui chuva (Maria Gadú).