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TU NO DIVÃ
DECLARAÇÃO
POR LUÍZA CANATO

O mundo está tremendamente esquisito. Já dizia Matilde.

E pensando sobre isso dia desses percebi que quase nunca escrevo sobre o amor. Corrijo-me: só escrevo sobre amar, e falo pouco sobre nós.

Mas é que escrever textos para mim é tipo fazer tatuagem. E da tatuagem e do texto a gente até pode se arrepender e apagar, mas a marca fica lá.

Porém, cá estou tatuando o antebraço com o seu nome e escrevendo para você neste espaço.

Foi coisa de sorte estarmos no mesmo tempo e espaço naquela noite. Não acredito em acaso, mas agradeço a esse tropeço do destino.

 

E quando te conheci percebi que você me via. Me olhava e me via. Coisa rara.

Lacan dizia que amar é dar aquilo que não se tem. E vou além: é oferecendo ao outro o que nos falta que vislumbramos uma fantasia de completude.

 

Hoje compreendo que o seu olhar vê o que me falta e na minha loucura, me completa.

E se o mês de junho foi escolhido de forma estratégica de marketing para ser o mês do amor. Eu espero até o final do mês para fazer essa declaração (desculpa, editor).

 

Portanto, se há poucos ou quase nenhum motivo para falar sobre o amor. Se o mundo está fora do eixo. Produzo nessa falta o meu desejo de celebrar. Te celebrar.

E fizemos uma pessoa. Juntos.

 

E estamos, permanecemos e seguimos.

 

E isso é coisa importante demais para não ser gritada. Escrita. Marcada.