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TU NO DIVÃ
A TERAPIA
VAI (ME) SALVAR
POR LUÍZA CANATO

Meu ofício tem me tirado da bolha que vivo. Isso tem me salvado.

 

Me explico: sou muito admiradora do projeto de psicanálise de rua liderado pelo psicanalisa Tales Ab’Saber, orientados pela questão da socialização da experiência da psicanálise e da necessidade contemporânea de se criar espaços em que a subjetividade se produza fora da lógica do mercado alguns profissionais se dispõem a ouvir quem vai chegando para as sessões na Casa do Povo, em São Paulo.

Ampliar o meu trabalho. Era um desejo. Mas como? Era sempre essa questão.

 

Já ouvi muito e por ignorância acabei reproduzindo que a Psicanálise não é para todo mundo. Esse pensamento é muito grave, deixa o trabalho elitizado e pressupõe que só algumas pessoas  muito especiais podem compreender o trabalho de uma análise.

 

Logo no começo da nossa quarentena que, graças a muitos brasileiros deverá se estender até 2045, disponibilizei alguns horários da minha agenda para atendimentos gratuitos.

 

Essa atitude foi definidora.

Com a alta demanda, criei junto a dois colegas o Coletivo Nós (instagram.com/n.o.s.coletivo). Um coletivo de Psicanalistas que realiza atendimentos emergenciais gratuitos e que agora passará a fazer encaminhamentos para outros psicanalistas que desejam atender – o valor é acordado conforme a possibilidade de cada paciente.

Com isso, minha clínica, que por ora está apenas virtual, se transformou.

Noto que muitos que procuram tem essa visão errada de que terapia é um bem de consumo que nem todos têm acesso. Pergunto o quanto a pessoa pode pagar, as pessoas dão o que podem e o trabalho acontece. E ver o meu trabalho acontecendo, é bom demais.

“Terapia deveria vir na cesta básica” – disse uma colega que gosto muito.

 

Concordo. É item de sobre – vivência.

Ei, caso você queira entrar em contato comigo ou se interessou pelo trabalho do Coletivo, mande uma mensagem de WhatsApp para o número 13 99738.1716.

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