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TU TEM O QUE FALAR
FECHADOS,
SÓ POR ENQUANTO
ENTREVISTAMOS PROPRIETÁRIOS DE ALGUNS RESTAURANTES E BARES PARA ENTENDER COMO ELES ESTÃO ENFRENTANDO A CRISE DA PANDEMIA

Ninguém estava preparado para o que está acontecendo com a gente. Ninguém apostava que a nossa geração fosse viver uma epidemia que tomaria proporções globais. Que, de uma hora para outra, nos veríamos presos em casa, tendo de usar máscaras ao sair para fazer sei lá o que e que nos veríamos privados de fazer coisas que a gente acreditava serem tão corriqueiras, como passear no shopping, ir ao cinema ou fazer um happy hour com os amigos em um bar. Isso virou algo distante, guardado na nossa memória. Quando foi a última vez que você foi em um bar ou restaurante? E quando você voltará a frequentar um? Esta é a pergunta que muitos donos de estabelecimentos de Santos e região estão se fazendo hoje, neste exato momento. Quando tudo voltará ao normal? E como será este tão falado “novo” normal?

Bares e restaurantes são, sem sombra de dúvida, um dos setores mais impactados pela pandemia. Foram os primeiros a terem o seu funcionamento limitado e, provavelmente, serão uns dos últimos a voltar a abrir as portas completamente. E, como já foi dito anteriormente, ninguém estava pronto ($) para isso. Conversamos com alguns donos de estabelecimentos de Santos para poder entender o que eles estão passando e como estão enfrentando este momento dificílimo. Para tentar manter o caixa rodando, a maioria buscou a solução no delivery. Alguns, inclusive, não ofereciam a opção nas suas casas ou não tinham foco no delivery, mas tiveram que se adaptar com a nova realidade. Foi o caso do Luciano Vieira, do Boteco da Ponta. “Nosso forte era o atendimento ao cliente nas mesas. Devido a isso, nunca demos muita ênfase ao delivery.”. Ele investiu nos aplicativos de entrega e no próprio app da casa para manter o fluxo de caixa. E se por um lado a mudança foi drástica, a aceitação do público surpreendeu. “Os clientes aceitaram bem e nunca nos abandonaram.”, comentou Luciano.

A mesma reação dos clientes pôde ser vista em quase todos os restaurantes que conversamos. Parece que todo mundo entendeu que se não apoiar aquele bar ou restaurante local que costumava ir, talvez ele não esteja mais lá quando tudo voltar ao normal. E esta onda de empatia tomou conta dos fornecedores e donos dos espaços que os estabelecimentos alugam. “Todos os fornecedores ofereceram o parcelamento ou adiamento de alguns boletos. E o aluguel foi dividido em parcelas para serem pagos quando o novo normal voltar.”, diz o chef Felipe Schmidt, responsável pelo El Balconcito. Localizado no Praia Palace Food Market, ali no Gonzaga, a casa inaugurou em fevereiro deste ano e já enfrenta este furacão. “Tivemos que nos reinventar rapidamente e se adaptar às novas realidades de consumo das pessoas. O negócio ficou mais enxuto e sentimos a necessidade também de alterar o cardápio oferecendo opções mais comuns, do dia a dia.”.

LUCIANO VIEIRA

Boteco da Ponta         

@botecodaponta13

Tel.13 3877.0333

WhatsApp 13 97423.3833

FELIPE SCHMIDT

El Balconcito

@elbalconcito_

WhatsApp 13 99764.8564

E se clientes e fornecedores ofereceram a mão, o mesmo não dá para dizer do governo. Com exceção da Medida Provisória nº. 936/2020, do Governo Federal, que é válida apenas para 3 meses de contrato (vale lembrar que já estamos há mais tempo em quarentena), os restaurantes e bares não contaram com nenhuma isenção de impostos, nem nada do gênero. Isso os obrigou a fazer cortes em suas equipes, com alguns deles chegando a dispensar 80% do pessoal. Vale ressaltar que não estamos falando de mega conglomerados empresariais onde funcionários são apenas números em uma planilha de Excel, e sim negócios onde a equipe e os donos são quase uma família. Isso mexe muito com o psicológico. “Depois de mais de alguns meses, já está melhorando. No começo, foi tudo muito instável, houve muito medo de todas as partes. Eles próprios (funcionários) perceberam que todas as alterações que fizemos foi pra buscar a saúde da empresa e, consequentemente, a manutenção do emprego deles. Estamos buscando prosperar em tempos de pandemia.”, comenta o chef Bruno Justo, do Yolo, que foi um dos primeiros restaurantes a fechar as portas para a rua. A ansiedade também se aplica na vontade de voltar a abrir, de receber novamente os clientes.

Mas como que vai ser isso, o tal “novo” normal? Guilherme Brum, que é sócio em três operações na cidade, Tasca do Porto (que está atendendo por delivery, além de estar fazendo marmitas solidárias para 3 instituiçoes), O Canteiro e Cerveja & Porcaria (que estão fechados), comenta que não pretende mudar a identidade das casas, mas acredita em uma adaptação para respeitar as normas exigidas. “O Canteiro, que é um restaurante à quilo, acreditamos que já está pronto para a nova realidade.”, diz. No restaurante, os clientes não têm contato direto com o buffet, que é protegido por um vidro. “Pelo que sinto, ninguém aguenta mais ficar em casa. Então, teremos que tomar as atitudes para se adequar à nova realidade, na prevenção, como todas normas sanitárias.”. E é bem isso mesmo. Uma pesquisa do blog Juicy Santos, realizada na Baixada Santista, mostrou que quase 60% das pessoas ainda estão receosas com o retorno com bares e restaurantes lotados. Mas também deixou claro que as pessoas sabem que as coisas vão ser diferentes, com restaurantes com menos mesas e garçons trabalhando de máscaras em um primeiro momento. Foram 72,2% das pessoas que falaram que aceitam que isso agora é o normal.

BRUNO JUSTO

YOLO

@yolo.cozinha

WhatsApp 13 99127.6442

GUILHERME BRUM

Tasca do Porto

@tascadoporto

WhatsApp 13 3219.4280

Agora é esperar os números de casos da COVID-19 diminuírem e aguardar que este novo normal chegue logo. Enquanto isso, vamos continuar a pedir pelo delivery e ajudando a manter os negócios locais, que sempre estiveram lá para nos receber de braços abertos, só que agora há um metro e meio de distância.

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