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TU ENTREVISTOU
ISABELA PANZA

Era um domingo daqueles de muito sol e praia cheia, sinal que a vida está voltando ao normal. Nesse clima, ali no Posto 2, foi que me encontrei com a Isa Panza para bater o nosso papo. A Isa é daquelas pessoas mil tarefas. Surfista das boas, produtora de eventos, mãe, musicista, educadora física... Ufa! A lista não para! Leia na próximas páginas um pouco da história dela e se inspire.

TU - Vamos começar pelo começo. Como você iniciou sua vida no surf?

 

Isa Panza - De longa data. A primeira onda que eu surfei foi com uma prancha de bodyboard Melissinha, lá em Búzios. Uma prancha que eu ganhei junto com uma sandália Melissa. Eu tenho até hoje essa pranchinha.

TU - Era daquelas de isopor?

IP - Não. Ela era de tipo um plástico mesmo, mais resistente. E essa prancha vinha junto com a sandália. Foi a primeira vez que eu me lembro surfando. Eu tinha 7 anos de idade e foi de bodyboard, no Rio de Janeiro. E desde então, eu me apaixonei pelo surf. Só que eu morava no interior de São Paulo. Então, para mim, não era uma coisa frequente. Só veio a ficar mais frequente quando a minha família comprou um apartamento em Peruíbe e a gente ia para lá quase todo feriado ou férias. E assim, começou a ficar frequente. Comprei a minha primeira prancha com 14 para 15 anos, uma Almir Salazar, uma pranchinha, e desde então, eu nunca mais parei.

TU - E como rolou a mudança do interior para cá?

IP - Eu morava em Capivari, no interior de São Paulo. Morava com meus pais, até que, com 19 anos, eu vim fazer faculdade aqui em Santos e fiquei. No segundo ano da faculdade, eu comecei a dar aula de surf na Escola de Surf aqui da cidade e isso se tornou a minha profissão até hoje.

TU - E você comentou sobre aulas de surf, mas você teve aulas ou começou na “raça”?

IP - Eu aprendi mesmo com amigos locais de Peruíbe e Itanhaém, também. Foi nesses lugares que eu comecei a surfar de fazer manobras e tudo mais.

TU - Não era brincadeirinha...

IP - Não. Sempre gostei demais, então eu me dedicava bastante. Já cheguei a ficar 8 horas seguidas dentro da água. E, em Itanhaém, minha família já teve um carrinho de raspadinha na praia. Isso, eu tinha uns 18 ou 19 anos. Foi quando eu tive a experiência de ter esse contato caiçara mesmo. A gente ficava a temporada toda na Praia dos Sonhos em Itanhaém com o carrinho. E a hora que eu não estava trabalhando, eu estava dentro d’água. E tinham muitos locais lá, inclusive um deles, o Cristian Carneiro e tem o Museu do Surf lá em Itanhaém, foi o cara que me ensinou as manobras. E meus amigos de Peruíbe que me ensinaram a passar a arrebentação e tudo mais. E aí a gente vai aprimorando. 

TU - E acaba sendo uma vida inteira ligada à praia e ao mar, apesar de você ser do interior.

IP - É engraçado, porque os meus melhores amigos de infância mesmo são da praia, lá de Peruíbe. A gente passou a infância, e até a fase adulta, indo para lá. 

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TU - É, realmente quem entra contato com a praia, vem para cá, acaba se apaixonando e fica para sempre.

IP - Eu, honestamente, não consigo viver longe do mar e da praia. Não conseguiria voltar para o interior. E desde criança é isso, uma ligação muito forte. 

TU - E voltando a falar da Escola de Surf, conta para gente como foi?

IP - Eu dei aula durante 15 anos na Escola Municipal de Surf, desde o final do segundo ano da faculdade até o comecinho deste ano, que foi quando eu sai. Então, foi bastante tempo.

TU - E além das aulas, você tem um lado produtora de eventos bem forte, certo?

 

IP - Então, eu fui atleta de pranchão. Em 2010, eu comecei a surfar de longboard e já competi. Quando eu fiz a minha primeira prancha em 2010, eu já participei de uma competição que teve em São Vicente, o Campeonato Paulista de Longboard, e fiquei em 3º lugar. E eu acabei pegando gosto por competições. Gostava de ver este universo e tudo mais. Só que eu percebia que o surf feminino não era tratado de forma igual. Então, nesse dia em que eu peguei o 3º lugar, eu ganhei uma premiação só masculina. Ganhei camiseta masculina, óculos masculinos, tudo masculino. E a premiação dos homens, além destas coisas, era em dinheiro também. As nossas inscrições eram iguais, mas a premiação era totalmente injusta, não era equivalente. E isso me causava um mal estar até. Como atleta, essa desvalorização com as mulheres. E eu comecei a fazer eventos de surf. Um destes eventos foi em 2015, quando eu encontrei uma pessoa que eu conhecia, de uma marca de biquínis, e que começou a incentivar o evento junto comigo. E foi algo que foi crescendo. O primeiro foi um meeting, que a gente conseguiu reunir cerca de 60 mulheres do Litoral de São Paulo. Então, foi o primeiro que eu me arrisquei a fazer mesmo, como produtora de eventos. E desde aí, eu criei um grupo no WhatsApp e em questão de duas semanas, a gente já tinha 200 mulheres do Brasil inteiro. E a partir daí, em 2017 eu criei um festival, o Prancha Oca de Longboard Feminino, que acabou tendo 3 edições e que no próximo ano eu tenho a pretensão de fazer a continuação deste festival, já com uma nova roupagem e um novo nome. Pois antes, nestes festivais, não tinha competição, era só a participação das mulheres, mas agora eu vou trazer a competição para junto do festival também. 

TU - Isso ajuda a fomentar a participação das mulheres no surf. E era até uma pergunta que eu ia fazer na sequência. Nós temos várias mulheres brasileiras que fazem sucesso no surf, em diferentes modalidades do esporte, como a Chloé Calmon, a Maya Gabeira, a Silvana Lima e a Tatiana Weston-Webb, por exemplo. E mesmo assim, a gente não as vê com o mesmo destaque na mídia e com as mesmas oportunidades que os homens no esporte. Você acha que falta o que para virar essa chave?

IP - Primeiro, a participação da mulher no surf foi tardia. O surf era um esporte que gerava certos preconceitos. Quando ele começou a ganhar espaço, na década de 60, já tinha um pouco de preconceito por ser um esporte, assim como o skate, que teve que provar muita coisa para chegar ao patamar que está hoje. E para a mulher foi mais difícil, como em tudo. A mulher teve que ir conquistando o seu espaço aos poucos. E até hoje isso vem acontecendo ainda, em uma quantidade bem menor que antigamente. O porquê, eu acho que foi exatamente pela mulher ter começado tardiamente, ter que provar o seu potencial e sua capacidade, e depois ir começando a conquistar o seu espaço, com patrocínios e visibilidade. Hoje, as premiações obrigatoriamente tiveram que ser equalizadas, e isso já é um grande passo para a valorização. Mas foi uma grande briga. Por antes ser uma premiação injusta, as mulheres não queriam participar e, por isso, tinham poucas meninas competindo. E eu, vendo esse cenário como atleta e podendo, como professora, poder mudar isso, comecei a produzir os eventos para melhor este cenário. E realmente, ajudou bastante. Na primeira edição do Prancha Oca, foram 150 mulheres participando, na segunda já eram 200 e na terceira, em 2019, a gente conseguiu 300 inscrições. Então, foi sempre um evento batendo o recorde do outro. E como atleta, produtora de eventos e couch, eu vi a necessidade de ter alguma coisa incentivando o longboard, pois aqui em Santos, a gente tem boas escolas para introduzir o esporte aos alunos, mas não tinha algo para dar continuidade. O atleta tem que correr por ele mesmo, atrás de iniciar carreira, inscrições, treinamentos... tudo por conta própria. Então, eu queria começar um projeto onde houvesse a estrutura para atender o atleta de forma integrada. Comecei a perguntar para profissionais que eu conhecia se eles queriam entrar nessa comigo e as respostas foram muito positivas. Aí nasceu o Centro de Treinamento de Longboard Profissional. Esse projeto está nascendo ainda e eu já escolhi dois atletas aqui da Baixada Santista para representar a cidade de Santos, que são o Théo Cabeleira e a Monique Pontes. Eu os escolhi para começar esse projeto por causa de resultados, pela dedicação e pela entrega mesmo dos dois. E agora estou começando a procurar saídas para como atendê-los de forma integrada e integral. Já contamos hoje, junto à equipe, com médico ortopedista e uma nutricionista. Contamos com o apoio do Instituto Horliana e a FUPES, com o programa Adote um Atleta, também está junto como parceira. E eles foram agora para o primeiro campeonato, o Sul-americano de Longboard, em Saquarema, representando a cidade de Santos e o projeto. E a intenção é abrir cada vez mais vagas, para atender cada vez mais jovens atletas e formar eles nas áreas que todo atleta precisa.

TU - A ideia é, com esses dois pioneiros, puxar uma fila de novos atletas?

IP - Exatamente. Por exemplo, o Estúdio Wave, que está junto com a gente, vai trabalhar a parte da timidez do atleta. Então, se o atleta não consegue dar entrevista ou falar em público ou na televisão, vamos trabalhar isso. Pois é importante o atleta ter desenvoltura para vender a sua imagem. E a gente está fazendo este trabalho de formiguinha, mas com a intenção de que ele fique grande rápido e possa proporcionar estas oportunidades. Até por um lado social, atender crianças em vulnerabilidade e transformá-las em profissionais.

TU - E, com uma visão de leigo e me corrija se estiver errado, eu vejo o longboard como uma modalidade mais “democrática” em relação à pranchinha, pois a gente vê um pessoal mais velho surfando ou uma pessoa que não tem aquele físico saradão. É bem por aí? É um esporte mais democrático?

IP - É mais democrático e é mais cultural. E mais cool. É um surf mais tranquilo. A atleta que eu trouxe para o Centro de Treinamento, a Monique Pontes, tem mais de 30 anos. Quando um atleta profissional ia conseguir engatar uma carreira com esta idade?

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TU - Mudando um pouco de assunto. Conversando em off, você falou do seu filho e ele já participou até da criação de eventos e tudo mais. Como é isso?

IP - Eu comecei a colocar o meu filho no surf desde quando ele engatinhava. Então, ele já tinha contato com a prancha, sempre de forma lúdica, nunca querendo que ele se tornasse um surfista profissional, nada disso, pois eu acho que a criança tem que ser criança. Tem que ser algo natural. Então, ele ainda surfa comigo na prancha, ele fica ali na beira, mais tranquilo. E numa dessas quedas que a gente estava fazendo em família, eu e ele na água, ele falou: “Mãe, a gente podia fazer um evento de família, né? Imagina que legal, que nem aqui hoje?”. Tinham mais crianças surfando com os pais e ele comentou como seria legal um evento assim. E a gente foi embora para casa e a noite ele falou que já tinha o nome do evento. “Podia chamar Surfamily”. Eu achei muito legal e fui atrás para fazer. E já aconteceram 3 edições do evento, uma edição mais legal que a outra. Sempre juntando uma galera. Já vieram famílias de São Paulo, do Litoral Norte e Sul, tudo junto para surfar em Santos. E tinham categorias pais e filhos, casais, irmãos... muito legal ver as famílias reunidas. Um baita astral.

TU - E além disso tudo, dos eventos e do Centro de Treinamento, você tem uma banda com o seu irmão também. Conta um pouco sobre esse seu outro lado.

IP - A banda veio antes de tudo. Na nossa vida a banda nasceu primeiro. Hoje a gente tem o duo que chama Água e Sal, que é a última edição das coisas que a gente já fez na nossa carreira musical. A gente já tem 20 anos juntos na estrada como músicos. Então, a gente começou muito cedo mesmo a cantar, compor e tocar. Tivemos vários projetos. Desde pivete. A gente fazia covers de Sandy & Júnior, se apresentava nas festas que tinham no Interior de São Paulo. E isso foi tornando um gosto muito grande. Meu irmão se tornou baterista com 13 anos e hoje toca muito, tem o estúdio dele e é produtor musical. E a gente viu a facilidade de estar só nós dois, principalmente agora na pandemia, onde tudo era mais difícil no formato de banda. E hoje a gente tenta passar, como Água e Sal, tudo o que a gente vive de experiência na nossa vida e principalmente a energia que a gente absorve do mar. Água e Sal pela simplicidade, pois todo mundo em casa tem um biscoito água e sal. E quando você está doente, o que você precisa? Um soro que é água e sal. E o mar, que lava a alma e faz bem, tem todo esse universo do surf, que a gente respira isso, é composto também de água e sal. Na nossa vida a gente leva muito dessa simplicidade que é de vital importância e a música é de vital importância para nós. Então, a gente reuniu tudo isso em um duo e para essa informação nas nossas músicas. Pois a gente está muito cansado de música sem conteúdo. A gente valoriza nas letras momentos como isso aqui (aponta para o pôr do sol lindo) que a gente está vendo. Um pôr do sol mágico, o barulhinho do mantra do mar, as crianças brincando e sorrindo, o abraço de pai e de mãe... sabe? Esses momentos simples que a vida oferece, a gente transforma em música.

TU - Você estava com um programa no YouTube, com diversas participações, em um formato bem legal. Como surgiu a ideia desse programa? E a primeira temporada acabou agora. Existem planos para uma segunda?

IP - Isso, a primeira temporada acabou em agosto. Agora a gente vai vir com o Sessão Clássica  Summer, durante o Verão. A ideia para criar o programa foi muito natural. Pois eu saí do meu emprego durante a pandemia, em janeiro. E eu me vi em uma situação muito delicada financeiramente, pois eu não tinha recursos para poder trabalhar. A praia, que é onde eu dou aula e é meu local de trabalho, estava fechada. As academias também estavam fechadas. Como musicista, eu não podia me apresentar. E aí, eu fiquei no meio de um dilema, pois as contas não paravam de chegar. Eu precisava arranjar meios para me sustentar. Então, fui para o online. Comecei a dar aulas de surf online e a chamar atletas convidados que eu conheço. Eu cobrava um preço bem justo para todo mundo poder participar e as aulas começaram a lotar. Eu fazia pelo Google Meeting e ficava cheio de gente. E daí, eu pensei na possibilidade de fazer um programa voltado para o longboard, nesse formato com entrevista, aulas e dicas. Então, o Instituto Horliana, que sempre apoia os projetos que eu faço, sugeriu de a gente fazer. Ele já tinha a plataforma, ficava na produção e eu chamava os convidados. Aí, nasceu o Sessão Clássica.

TU - Eu assisti alguns programas e achei bem legal, pois são vários temas dentro do assunto longboard. E ficou com uma cara quase de podcast, que é uma coisa que está bem na moda.

IP - Ficou né? A intenção não era ser um programa de entrevistas, mas ele acabou tomando esse formato sozinho. A intenção era continuar as aulas, só que de forma aberta e com captação de patrocínio. Mas as entrevistas foram acontecendo, foi dando certo e o pessoal foi gostando.

 

TU - Não dá para mexer no que está dando certo. E agora como vai ser a temporada de Verão?

IP - Vamos fazer a temporada Summer, agora com a chance de poder receber os convidados de forma presencial e também captar as imagens da galera surfando. Acompanhar os campeonatos que estão sendo resgatados agora, que não aconteceram durante a pandemia. A ideia é essa.

TU - E você também costuma organizar workshops com surfistas renomados. Conta para a gente como é isso?

IP - Esses workshops começaram também em 2017, junto com os eventos que eu estava fazendo de longboard feminino. Tudo eu vou trazendo para o universo que precisa, de algo que está faltando. E os campeonatos trazem os atletas para as pessoas assisti-los, mas as pessoas não conseguem ter um contato com o atleta ali na hora, pois muitas vezes não dá tempo mesmo. E estes atletas são ídolos dos quais estas pessoas que surfam no seu cotidiano, querem ter o contato, perguntar alguma coisa, aprender outra coisa. E aí eu pensei do porque não trazer esses atletas para oferecer a experiência para a pessoa conviver com estes atletas durante dois dias e poder aprender com eles. E foi assim que nasceu o workshop Malama Nui, que significa “a grande luz”. Os primeiros eu fiz com convidados locais. Shapers, professores, surfistas profissionais e até médicos e fisioterapeutas. E já na terceira edição eu trouxe o Phil Hassman, que é o bi campeão mundial de longboard. E na quarta edição, eu trouxe a Chloé Calmon. E em todas edições, junto a estes atletas, eu convido atletas regionais, pra valorizar o surf local. Também chamo os shapers e marcas locais. E junto com o workshop, eu montei uma feira de surf no hotel onde fizemos o evento e foi um sucesso. 

TU - E para encerrar, duas perguntinhas. Qual a trilha sonora que não pode faltar?

IP - Eu vou puxar para o meu lado. Não pode faltar Água e Sal (risos). Eu sou bem eclética, mas eu tenho meu gostinho preferido. Eu sou bastante do rock e do reggae. Eu gosto muito de Natiruts e de um reggaezinho gringo. Curto bastante do reggae da Califa. Gosto também de Catch a Fire, que é uma banda da Nova Zelândia, muito boa. E gosto de Tomorrow Bad Seeds, que se tornaram nossos amigos. A gente toca as músicas deles, fica se marcando nos perfis do Instagram. Então, eu gosto muito dessas bandas que tem uma proximidade com o mar. E quando o mar tá grande, tem que ter um rockzinho. De repente um Rage Against the Machine ou um System of a Down, Como eu disse, eu sou bem eclética. Minha playlist tem bastante coisa diferente. Mas de nacional, o que não pode faltar mesmo é Natiruts. Eu gosto demais.

TU - E qual seria a sua onda dos sonhos? Pode ser onda real mesmo ou figurativa.

IP - Bom, do mar, eu tinha muito o sonho de surfar Chicama, no Peru. E eu já consegui realizar esse sonho por duas vezes. Estive lá em duas temporadas e pretendo voltar. É um lugar muito especial para mim. E eu gostaria de conhecer as ondas da Califórnia e de surfar lá. Eu gosto muito da formação e da essência da cultura do surf que tem lá. Eu imagino fazer um surf por lá e depois tocar com as bandas que eu gosto. E em relação à vida, claro que eu quero que toda a minha família continue com saúde, para poder seguir uma vida plena. Uma vida de pessoas boas e bons valores para o meu filho poder colher esses frutos quando ele estiver na fase da adolescência ou adulta. Que ele seja feliz. E que eu continue tendo amigos de verdade do lado para poder dividir momentos bons. Isso é o principal da vida. E para o mundo, seria as pessoas acordarem. Perceber que a natureza precisa de carinho e que a gente precisa cuidar um pouco melhor uns dos outros. E poder crescer como ser humano e espiritualmente.