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TU ENTREVISTOU
JOSÉ LUIZ TAHAN

O José Luiz Tahan é o que a gente pode chamar de um cara multitarefas. Além de ser um empresário proprietário de uma livraria icônica de Santos, ele também é um livreiro apaixonado por livros, um promotor de um evento literário com mais de 10 anos de sucesso e um visionário por criar um clube de assinatura de livros que, mesmo com pouco tempo de existência, já é um sucesso. E nós conversamos com ele e aprendemos um pouco mais de cada uma das diversas facetas do Zé Luiz Tahan.

TU - Primeiramente, conte para nós quem é o José Luiz Tahan.

 

José Luiz Tahan - Bom, eu tenho 49 anos. Nasci em Santos. Uso “tu”, normalmente (risos). Meu plano inicial era fazer Arquitetura, na Unisantos, e para viabilizar o custo de uma faculdade, comecei como vendedor da antiga livraria Iporanga, que ficava ali na Ana Costa. Então, ingressei na faculdade e, no 1º ano cursando, veio a oportunidade de entrar de sócio na livraria. Meus pais me deram algum recurso possível e eu abandonei a faculdade, pois achava esta oportunidade mais concreta. E eu gosto do ambiente, do consumo de cultura...

TU - A Arquitetura tem um pouco a ver também, não é? Tem toda uma visão artística.

JLT - Tem. Eu acabei indo para a Arquitetura até pela minha facilidade com imagem. Eu sou ilustrador até hoje. Então, eu achava que desenhar coisas que as pessoas habitam, falando de uma forma mais rudimentar, ia dar mais seriedade para o desenho (risos). Mas eu sempre fui mais desenhista e entendi que a Arquitetura era muito complexa, e bonita também. Respeito bastante a Arquitetura, mas eu não sei se era totalmente a minha vocação. Talvez, por estas dúvidas mesmo, que eu parei quando surgiu a oportunidade. E eu digo que abandonei junto com o Chico Buarque, aí eu o coloco do meu lado para me dar mais respeitabilidade (risos). E então, eu entrei de sócio na Iporanga com 19 anos, e se hoje tenho 49, são 30 anos de carreira. Comecei como atendente e virei livreiro, aí somei a isso o editor, produtor de eventos culturais literários e, recentemente, construímos o clube de assinaturas, que é uma modalidade super interessante, que as pessoas gostam muito, onde você recebe o livro em casa, com uma curadoria surpresa. Então, é um grupo de negócios: a livraria de rua (vale salientar essa identidade com a rua), a editora, o bar café, os cursos, o Festival Tarrafa Literária e, agora, o clube de assinaturas. Diversas frentes de trabalho, nascidas desta experiência do livro. 

TU - E a Realejo nasceu como? Ela veio da Iporanga, como foi?

JLT - Então, a Iporanga já tinha data para acabar. Por causa do fim do cinema (a livraria ficava no antigo prédio do Cinema Iporanga) e com a chegada do novo empreendimento que foi o Shopping Pátio Iporanga. E eu, quando vi que a história ia acabar, eu entendi que ela deveria acabar com nome. Pois o nome fazia sentido ali, pois tinha uma ligação com aquele espaço. Então, eu criei a Realejo do zero. Comecei na Unisantos, em frente ao prédio de Jornalismo, que também não existe mais, na Euclides da Cunha. E aí, eu vi este endereço aqui (próximo à Praça Independência, onde é a Realejo hoje) e achei genial. Ainda acho um belíssimo ponto. E abrimos aqui, mantendo a loja da Unisantos.

TU - Você até comentou desta identidade dela com a porta para a rua. Você deve receber todo tipo de pessoa. Já teve algum caso diferente que aconteceu na livraria?

JLT - Sim. Tem histórias todos os dias. A livraria de rua tem dentro dela a surpresa. Até acredito que tenham surpresas em shoppings, mas eles são mais “protegidos”, mais previsível. Ele é pasteurizado. Você tem o segurança, você não sabe se está sol ou se está chovendo lá de dentro, é tudo meio morno, sanitizado. Aqui na rua não. Aqui tem o sem teto que quer tirar uma onda com a gente e nós conversamos com o cara. Têm as festas musicais que a gente sempre faz aqui e acaba tomando uma com os clientes, o que dá aquela descontraída no ambiente. Mas tem várias histórias, desde o casal que vê a placa “café impresso” e fala “eu gosto de café expresso, não vou tomar esse café não” (risos). 

TU - E com certeza a pandemia afetou a Realejo, ainda mais por ela ser uma livraria de rua. Como foi esse baque?

JLT - Está sendo um ano muito duro. Nós tivemos um resultado financeiro positivo e na experiência de se adaptar nestes tempos tão desafiadores, mas isso não tira a ideia de que o ano foi horrível. Não dá pra gente reduzir só a dinheiro. Foi um ano de mortes, de sofrimento, de negacionistas, de um governo despreparado e criminoso contra a própria história do Brasil... então, tudo isso tem que ser extremamente notado para que, quando nós vencermos por nossa força, pois a gente é abandonado à própria sorte no Brasil, a gente possa entender o que se passou com a gente. Então, nós tivemos que fechar as portas por motivo da pandemia. Dispensei os funcionários remunerando integralmente, sem ajuda governamental. Coloquei os funcionários em casa e falei: “Eu vou tocar o trabalho sozinho”. Fechei as portas e comecei a criar minha rotina, com fotos nas redes, provocando ideias com os clientes, abri meu WhatsApp pessoal em todos os lugares... e minha rotina virou isso. De manhã, trancado fazendo as fotos e divulgando, e depois do almoço, já começava a empacotar os livros e levava nos Correios e às 17h eu pegava meu carro e saia para entregar na casa dos clientes. Tudo sozinho, por três meses.

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TU - Isso tudo no esquema do Clube de Assinatura?  

JLT - Não. Da livraria. O Clube nasceu nesse meio tempo, através de uma ideia que tive com um amigo, que se tornou sócio. O Clube flutua em torno, mas já tem uma outra dinâmica. E ele nasce dentro da pandemia, o que é uma maluquice. E, também, durante a pandemia, uma das pessoas que eu entreguei livro em casa foi a produtora do Pequenas Empresas, Grandes Negócios (da TV Globo) e ela levou a pauta para o programa. E toda esta história virou matéria para tv aberta, em setembro. Isso mostra que, apesar de ser o ano mais duro e sofrido, estar disposto a se movimentar e viver tudo isso para defender a marca, acaba colhendo frutos. 

TU - E falando nesta adaptação, você realizou a Tarrafa Literária este ano. Como foi esta adaptação a esta nova realidade? Pois a gente viu diversos eventos que passaram para o formato digital e que, parece, que aproveitaram a disponibilidade dos entrevistados estarem em casa e até mais confortáveis para participar de um evento. Foi isso que aconteceu na Tarrafa também?

JLT - Com certeza. A gente tirou partido disso. Tem aquela frase da malandragem dos amigos que é “quando você vê que vai cair, deita” (risos). Então, já que temos que pensar de outra forma, vamos entender quais são as possibilidades em torno disso. Aí o digital se mostra como algo extremamente potente e interessante. Foi o evento que teve participações de lugares mais distantes da história da Tarrafa. Então, tiveram autores da Paraíba, Paraná, Havana, Lisboa, Londres, Barcelona... virou algo mundial. O que faz a gente pensar em agregar no futuro o lado áudio visual on-line para sempre. A gente só está estudando a melhor forma de aplicar de uma maneira atraente no evento. Então, a gente espera fazer ano que vem presencial, se Deus quiser com todo mundo já vacinado, no Teatro Guarani (onde o evento acontece anualmente) e gravaremos o evento lá, editaremos e colocaremos no Youtube. Hoje mesmo, quem quiser assistir no Youtube, está tudo lá.

TU - E como nasceu a ideia da primeira Tarrafa?

 

JLT - A ideia foi uma evolução dos eventos com autores que eu sempre fiz na livraria. E por achar que Santos tem vocação para receber eventos culturais cosmopolitas, como eu acredito que a cidade seja isso. Santos é protagonista no Brasil, tem um privilégio geográfico enorme por causa do porto e por estra próxima a uma das maiores capitais do mundo, além de ter muita história aqui. Então, somado ao meu caminho de profissional do livro e uma cidade com vocação como esta como sede, acho que a chance de dar errado é pequena. E deu certo mesmo. São 12 edições realizadas, mais de 400 autores vindos do mundo todo. Uma média de 5 mil pessoas presencialmente por ano. E este ano, com o on-line, foram mais de 15 mil pessoas. E temos ótimos parceiros, relações com a cidade e com patrocinadores também. Mas nada mais é do que amplificar o trabalho que eu sempre fiz na Realejo. Eu fiz nascerem outras frentes de trabalho, mas que de forma alguma me distanciam do ofício. Você me achou aqui (na Realejo) e eu acho luxuoso ter um “escritório na praia”, como diria o Chorão. Eu digo que eu me transformo para continuar sendo o mesmo, este é o meu lance. Eu quero defender as livrarias de rua. Acho que elas são o equilíbrio dos pontos culturais de uma cidade.

TU - Até algo que eu ia comentar. Olhando para a Realejo, não tem como não lembrar do filme Mensagem para Você, da Meg Ryan com o Tom Hanks. No filme, ela é dona de uma livraria de bairro em NY e ele é dono de uma grande livraria, que acaba roubando os clientes dela e tudo mais. Imagino que as grandes lojas devam ser concorrentes duros. Além delas, temos as lojas on-line, como a Amazon. Como é esta concorrência?

JLT - Assim, eu não uso as palavras “resistência”, “resiliência”, acho que isso tem muita dor nelas. Mas eu gosto de me colocar nesse sentido para oferecer ao consumidor a avaliação do ato de compra dele. Ou seja, eu posso esperar do consumidor de livros, consciência. Não é uma compra de sapato, ou uma bolsa, não é uma compra de grife, mas de conhecimento. Então, eu posso esperar desse cliente que fala que vai comprar da livraria que ele gosta de frequentar, porque eu quero continuar frequentando esta livraria. Eu não vou comprar da Amazon, porque apesar de gostar do desconto, não é ele que vai fazer a total diferença. Economizar R$3 ou R$4, que podem deixar aberta uma livraria que você gosta de frequentar. Você vem comprar um café com o livreiro, você vem encontrar pessoas que tem o mesmo gosto que você, além da surpresa e da interatividade. Conhecer obras que você não imaginaria conhecer na solidão de um computador. O tipo de consumo que se dá numa Amazon da vida, é um consumo mais objetivo. Você compra coisas que você não tem tanta dúvida. Enquanto, quando você vai em um lugar que pretende te seduzir, é outra percepção. Muitas vezes vem o leitor aqui e a gente conversa e ele fala: “estou dando uma olhada”. Mas esta “olhada” vai ter um monte de surpresa, opinião trocada com a gente. É uma experiência mesmo. Eu posso esperar este consumo consciente. Eu tenho um mantra que eu brinco nas redes que é: “a Amazon pode esperar, as livrarias, não”. Então, deixa a Amazon esperando. O Jeff Bezos é o primeiro trilionário do mundo. E a Amazon vende cortador de grama, vende qualquer merda que você precisar. Ele não depende do livro. Ele usa o livro para banco de dados e não se importa com você. Se ele não se importa com você, porque você vai ficar comendo na mão dele só por causa de uma merrequinha de desconto? 

TU - É verdade. Se a pessoa põe na balança por um segundo e tem consciência mesmo, ela vê que não tem tanta vantagem.

JLT - É. Eles são competentes, por isso que eles são desse tamanho. Mas eu posso esperar do cliente uma iniciativa mais consciente. Aliás, um dos autores que participaram da Tarrafa este ano é um catalão de Barcelona, o Jorge Carrión, e escreveu um livro chamado “Contra Amazon”. E este livro vende na Amazon. Ela não está preocupada.

TU - E meio que nessa linha, qual a sua relação com dispositivos como Kindle e os e-books?

JLT - Eu acho que eles são interessantes, um complemento. Você sabe que eles têm um consumo pequeníssimo em relação ao livro em papel. Em 2020, eles não chegam a 5% do mercado. Então, quando alguém me pergunta se alguém ainda lê papel, eu respondo´: “não, só 95%”. E eu acho que tem prós e contras, mas para valer a pena ter um Kindle, por exemplo, e ter benefícios na ponta do lápis, você precisa ser um leitor muito voraz. Pois é caro ter o e-reader e comprar o tanto de livros digitais para fazer valer a pena aquele investimento.

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TU - Tem gente que gosta de ler o e-book primeiro, experimentar se é bom, para depois comprar o livro físico também. Pois muita gente gosta de ter o livro de verdade.

 

JLT - A sensação de posse é zero nesses casos. Eu acho que a relação, e a retenção, do que você lê é diferente. Imagino, né? É só uma suposição. Mas eu tenho e-books no meu catálogo. Não somos inimigos do e-book. Eu sou inimigo da Amazon (risos). Apesar que meus livros vendem lá. Mas eu não atendo direto. No começo deste ano, eu parei de atender e passei a apoiar o meu distribuidor. Gente como a gente, um cara do mercado tradicional, que vai continuar ganhando. Eu estou gerando uma contra partida para um distribuidor físico, onde ele vende para a Amazon e eu não vendo.

TU - Além da livraria e da Tarrafa, aqui em cima da loja tem a editora também. Fale um pouco sobre ela.

JLT - Uma editora com mais de 150 títulos, com autores brasileiros e estrangeiros. Santistas, paulistas em geral, cariocas, americanos, mexicanos, portugueses, ingleses... a gente lançou a biografia do Monty Python. Vamos ter uma autora finlandesa este ano. A editora nasceu em 2006 e é um trabalho muito bom de fazer, de ser editor. Eu falo com esses rótulos, mas eu não me sinto pronto em nenhum deles. Eu estou sempre buscando aprender mais, tanto como livreiro, editor ou ilustrador. Mas editora é um desafio diário, bastante desafiador, bem interessante.

TU - E como você faz esta ponte com os autores de outros países?

JLT - Muitas vezes o mundo digital facilita. Um dos caminhos que aconteceram foi quando eu fiz três projetos de livros com o Pelé. E cara, quando você trabalha com o Pelé, você pode esperar que vai acontecer alguma coisa. E aconteceu. Uma agência nórdica, cujo o dono é finlandês e mora em São Paulo, viu a notícia na imprensa, me abordou e disse que gostaria de vender o direito deste livro para o mundo. Com isso a gente licenciou e o livro vendeu na Finlândia. Mas isso acabou abrindo outras portas e virou um canal de conversa. Ele me ofereceu a biografia do Ibrahimovic, com um autor sueco. E depois veio essa autora da Finlândia. Já com os portugueses, eu tenho uma ligação mais direta. A família da minha esposa é de lá e nós ficamos um mês por ano em Portugal. E cada vez que eu vou, mantenho relação com os autores, trago mais publicações. A Tarrafa também possibilita esses canais, então, as coisas vão se misturando e as oportunidades também.   

TU - Com a editora, você deve ter contato com bastante escritores da região. Como é o cenário da literatura na Baixada?

JLT - Têm muitos autores. Ainda mais com o mundo digital. Desde aquele menino que escreve para o Wattpad (uma plataforma onde pessoas podem publicar histórias), Felipe Sali. Ele é um best seller, não sei como fala. Ele é um campeão de audiência (risos). Um destaque na rede. Até o amigo, Cavaco do Ouro Verde, que eu lancei o livro de crônicas do Renê (Ruas), do Marapé. Tem o (José Roberto) Torero, a Maria Valéria Rezende, que foi homenageada na Tarrafa, tem a Adriana Carranca, jornalista que entrevistou a Malala... tem gente adoidado. E tem gente que nós nem conhecemos. O mundo digital está muito poroso. Santos é um lugar que a gente pode esperar muita criação.  

TU - E conta para os leitores um pouco sobre o Clube Realejo, que é a grande novidade.

JLT - Eu já tinha vontade de criar o clube há alguns anos, quando vi o que a TAG Livros começou em Porto Alegre. Mas esta modalidade de você estar em casa, ter alguém pensando o livro que você vai ler, este alguém sendo um livreiro, que é algo que não existe muito, e, de repente, você recebe uma caixa com o livro, com uma ilustração que eu faço do autor, uma playlist pensada em torno do livro do mês, um vídeo onde eu falo sobre o livro, muitas vezes com participação do autor... é um kit sensorial, mensal por R$69, que as pessoas recebem em casa. É muito legal. E vem crescendo mês a mês. As pessoas gostam do conforto e, muitas delas, gostam de fortalecer a livraria e o livreiro. Este é o lance do Clube.

TU - E como é a curadoria? Os livros não seguem um tema padrão, certo?

JLT - A pessoa vai ser surpreendida, mas existe mais ou menos uma característica, pois os livros são prosas, ficções, podem ser de autores brasileiros ou estrangeiros, consagrados ou iniciantes, clássicos ou contemporâneos... é muito grande a abrangência. Então, o leitor que entra para o Clube vai receber uma surpresa dentro deste grande universo do romance. Mas o que vai ter em comum entre os livros é a relevância e passar no teste do livreiro, onde eu terei lido e avaliado. No futuro, deve-se abrir a modalidade não ficção, ou seja, leitores que queiram temas como história, biografia, jornalismo, divulgação científica, filosofia... devemos abrir um canal de assinatura neste sentido. Aí, é só entrar no site cluberealejo.com.br e fazer parte. E pode retirar até aqui no caixa, se a pessoa quiser, para não pagar frete.

TU - E você cita a profissão do livreiro. O que é o livreiro?

JLT - Ele não é só o vendedor, apesar de ser importante o vendedor ser um livreiro, pois os leitores não têm este atendimento hoje. Com a crise no jornalismo (periódicos) e o fortalecimento das teorias da conspiração do tio maluco do WhatsApp, o formador de opinião com critério fiou meio que “aves raras”. Nisso, eu estou falando do jornalista de cultura, que faz a sua cabeça, que você queria ler o cara para entender o que está rolando. Então, o livreiro consegue ser este cara que dá identidade à livraria, que traz este material selecionado, e que depois encontra os leitores para este material. Ele compra e vende. Ele tem que ter uma capacidade de retenção de informação muito grande, tem que ser pouquíssimo preconceituoso, entender o leitor e dar forma a iniciativa do interlocutor. Se você chega aqui na Realejo e fala que quer ler um livro, eu vou tentar te entender primeiro, que tipo de leitor você é, qual a sua história de leitor, alguns títulos que você tenha lido e, a partir daí, meu repertório se aplicar, caso a caso, para cada leitor. No Clube, é diferente. Eu vou pensar em um leitor que se transforma em centenas, que são os associados. E aí eu vejo um livro que vá atender muitos dos leitores. Então, é outro processo de criação. Mas o livreiro em suma é isso. Ele é um decifrador de leitores.

TU - Qual o livro inesquecível para você?

JLT - “Um, Nenhum e Cem Mil”, do (Luigi) Pirandello. Porque ele é um livro transformador. Ele consegue te arrancar de uma percepção de que você é um só para se transformar em cem mil. Você se transforma em um, para cara uma das pessoas que você encontrou na vida. Mas aí as pessoas, lendo o romance, vão entender. Muito engraçado e muito filosófico.

TU - E que livro você está lendo agora?

JLT - Agora eu estou lendo um autor suíço, por conta das futuras curadorias do Clube. Acabei de ler um australiano também, muito louco, muito legal. O nome do suíço é impronunciável. Se eu falar o nome, morre alguém de alguma maldição (risos). 

TU - Um livro obrigatório para todos lerem.

JLT - Caramba. Olha, eu adoro lembrar daquela série “Para Gostar de Ler”, coisa da infância mesmo. É um ótimo começo. Deveria ser obrigatório mesmo. Mas não sei se gosto de marcar como obrigação. É legal descobrir os cânones, os grandes livros escritos e o leitor mergulhar neste caminho e descobrir quais as suas características como leitor.

TU - Se o ano de 2020 fosse um livro, quem teria escrito?

JLT - Stephen King (risos). Outro dia eu vi um meme. Quem dirigiria a adaptação seria o Tarantino (risos). Não tem jeito, a gente lembra dos memes. Mas eu acho que algum autor de suspense, de terror. Que ano.

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