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TU NOS OUVIDOS
COMO O JAZZ
ME PEGOU
POR FERNANDO DE SANTIS

Sempre fui um cara rock n’ roll. Com seis anos, meu pai me deu a fita do Rádio Pirata Ao Vivo, do RPM, e eu pirei! “Quero ser um rockstar, quando crescer!”. Com doze anos, ganhei um violão e aprendi os primeiros riffs do Nirvana e Metallica, que lançavam na época, Nevermind e Black Album, respectivamente. O tempo me provou que eu não seria rockstar… fui roadie do Nightwish em um show no Via Funchal, fui roadie da banda santista Shadowside e, como qualquer músico frustrado, virei crítico musical, de rock, escrevendo por quase uma década para o time fixo do site Whiplash. De 1986 até o ano passado, apenas rock e blues passavam pelo meu som. No ano passado trombei com o jazz e pirei, e a quarentena potencializou meu interesse por esse estilo tão rebuscado e interessante. Não sou entendido de jazz, como sou de rock, modéstia à parte, mas falarei para vocês quatro discos de jazz que foram a minha porta de entrada. Se serviu para mim, boas chances de servir para vocês.

Time Out - The Dave Brubeck Quartet

Esse disco foi a pedra fundamental no meu conhecimento de jazz. Entre indas e vindas a sebos, peguei esse CD nas mãos e comprei. Lançado em 1959, esse disco ficou marcado por utilizar compassos musicais não habituais no jazz. Take Five, o grande “hit” do disco recebeu esse nome por usar compasso de 5/4. A minha preferida é a faixa de abertura, Blue Rondo à la Turk, que também usa um compasso não convencional, de 9/8. Como é de se imaginar, pelo nome da banda, trata-se de um quarteto, com o dono da porra toda, Dave Brubeck no piano, Eugene Wright no contrabaixo, Paul Desmond no saxofone e Joe Morello, na bateria.

King of Blue - Miles Davis

Se tu vive no planeta Terra, você já deve ter ouvido falar de Miles Davis. Caso não tenha ouvido, pegue sua nave e volte para seu planeta. Davis é considerado um dos músicos mais influentes da história, e talvez esteja para o jazz, assim como Beatles estão para o rock. Também no ano de 1959, Davis colocou nas prateleiras das lojas de Nova Iorque o disco Kind of Blue, aclamado pela crítica como melhor disco do cara. E não é à toa, além de tudo, estamos falando do disco mais vendido da história do jazz. Se tu imaginar uma seleção do jazz, ela estava no line-up desse álbum: Miles Davis no trompete, Julian “Cannonball” Adderley no sax alto, rei das improvisações, John Coltrane (guarde esse nome!) no sax tenor, além de Bill Evans (piano), Paul Chambers (baixo) e Jimmy Cobb na batera. Com algumas faixas bem extensas, eu curto muito a maior de todas: All Blues, com seus onze minutos e meio.

Baker's Holiday - Chet Baker

Desta vez, falarei de um disco mais novo, lançado em 1965. Esse disco pode ser uma virada de chave para você assimilar o jazz, no seu gosto musical, afinal de contas, temos voz. A deliciosa e deslumbrante voz de Baker preenche cinco faixas de dez, que estão nessa obra de arte. Baker nasceu em Yale, nos EUA, virou amante de música por conta do pai, que era guitarrista. Curiosamente, Baker não curtia ler partituras, mas isso não o impediu de ser, ainda jovem, considerado um dos maiores trompetistas da época (e posteriormente, de todos os tempos!). Mas o cara era meio vida louca, chegou a ser preso algumas vezes, espancado, perdeu os dentes e isso, de certa forma, contribuiu para a mudança no seu estilo de tocar, afinal, estamos falando de instrumento de sopro. Voltando ao álbum, é um tributo à Billie Holiday, recheado de faixas incríveis e de fácil absorção. Ouça de cabo a rabo, com uma boa garrafa de vinho ao seu lado.

Blue Train - John Coltrane

Considerado o maior sax tenor de todos os tempos, Coltrane nasceu nos EUA e morreu de forma precoce, com apenas 40 anos, decorrente de um câncer no fígado. Apesar de ter ficado pouco tempo na Terra, Coltrane deixou um legado formidável para os amantes da música. Você deve se lembrar que ele apareceu no line-up de Miles Davis, no disco Kind of Blue. Aqui, ele tem seu primeiro disco solo, lançado em 1957. Tudo nesse disco saiu como ele queria! E ele sabia o que fazia. Um disco de cinco faixas, mas são AS composições. Gosto muito da faixa título, com seus quase onze minutos de puro virtuosismo. Passeie por esse clássico, com um dream team de respeito. Além de Coltrane, Lee Morgan e Curtis Fuller aparecem no trompete e trombone, respectivamente, Paul Chambers, baixista, é outro nome em comum do Kind of Blue, além de Kenny Drew e Philly Joe Jones, na bateria.

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